“Não é teimosia, é rigidez cognitiva”: O que educadores e profissionais da saúde precisam entender

Imagine uma criança de oito anos. Todas as manhãs, ela entra na sala de aula, coloca o estojo no mesmo canto da mesa, tira o caderno sempre da mesma forma e só começa a escrever quando todos os passos foram cumpridos. Um dia, ao chegar, encontra sua carteira ocupada. Ela paralisa, o rosto se fecha, e o que poderia parecer uma simples troca de lugar se transforma em um desafio imenso. Ela se recusa a sentar em outro local, chora ou até se isola. Para quem vê de fora, é fácil rotular esse comportamento como “birra”, “drama” ou “manipulação”. Mas esse olhar raso invisibiliza uma característica neurológica importante: a rigidez cognitiva. Neste artigo, vamos explicar o que é essa rigidez, como ela se manifesta em sala de aula, por que não é a mesma coisa no TEA e no TDAH, e o que educadores e profissionais da saúde podem — e devem — fazer a respeito. O que é, afinal, rigidez cognitiva? A rigidez cognitiva é a dificuldade de mudar pensamentos, comportamentos ou estratégias diante de novas situações. É como se a mente travasse em um único caminho possível e tivesse muita dificuldade em construir rotas alternativas. Em termos simples: não é que a pessoa “não queira” fazer diferente. É que ela não consegue, pelo menos não com a mesma naturalidade e agilidade que a maioria. Essa característica é muito comum no Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente em níveis mais sutis (nível 1 de suporte), mas também pode estar presente em pessoas com TDAH, ansiedade, depressão, ou até em situações de trauma. E o impacto vai muito além das preferências por rotinas ou manias. Envolve sofrimento, frustrações intensas e um esforço diário para lidar com o imprevisível — que é, afinal, o que mais existe na vida escolar. Sala de aula: onde a rigidez encontra o imprevisível A escola é, por excelência, um espaço de transições: entre conteúdos, entre ambientes, entre atividades. Para quem tem rigidez cognitiva, cada transição pode parecer uma queda livre. Veja alguns comportamentos — nem sempre óbvios — que podem estar ligados à rigidez cognitiva: Um exemplo bastante comum: o professor ensina a estrutura de um trabalho escolar e pede que os alunos utilizem notas de rodapé. O aluno escuta, entende, mas simplesmente não segue a instrução. Quando questionado, responde algo como:“Não coloquei nota de rodapé porque tudo o que escrevi foi fruto do meu raciocínio e das leituras que já referenciei. Não havia nada extra para justificar como nota de rodapé.” Não é arrogância. É lógica rígida — uma interpretação literal e inquestionável do que faz sentido para ele. TEA e TDAH: a rigidez cognitiva pode parecer igual, mas não é Embora a rigidez cognitiva esteja presente tanto no autismo quanto no TDAH, ela se manifesta de formas diferentes — e isso importa na hora de intervir. No TEA: No TDAH: E o que fazer com isso? Nenhuma solução é mágica — e o papel do educador não é o de “corrigir” a rigidez cognitiva. Mas há caminhos de empatia, acolhimento e adaptação que fazem toda a diferença no cotidiano da escola. Para educadores: Para profissionais da saúde: Conclusão: quando o comportamento é só a ponta do iceberg Rigidez cognitiva não é frescura. Não é oposição. Não é preguiça. É uma forma de funcionamento do cérebro que exige compreensão, adaptação e paciência. A criança que se recusa a mudar de lugar. O adolescente que escreve da própria maneira, mesmo tendo recebido instruções diferentes. O aluno que trava diante de uma simples mudança no cronograma. Todos eles estão dizendo, à sua maneira, que mudar dói — às vezes, mais do que podemos imaginar. Como educadores e profissionais da saúde, nosso papel não é forçar a flexibilidade, mas construí-la com cuidado, respeitando os limites de cada um. Isso exige escuta, observação, colaboração entre escola e saúde — e, sobretudo, humanidade. Porque, no fim, ninguém aprende quando se sente atacado por ser quem é.
TDAH: por que diagnosticar e intervir cedo muda tudo

O diagnóstico precoce do TDAH pode transformar vidas. Saiba como o Congresso Aprender Criança 2025 prepara profissionais da saúde e da educação para intervir cedo e com base em evidências.
Autismo e além: por que compreender outros transtornos do neurodesenvolvimento é essencial para o cuidado integral

No dia 18 de junho, o mundo celebra o Dia do Orgulho Autista — uma data que vai além da conscientização: ela reafirma a identidade, promove o respeito pelas diferenças e nos convida a ampliar o olhar sobre a neurodiversidade. Mas, para quem atua diretamente com pessoas autistas — médicos, terapeutas, educadores —, essa ampliação precisa ser mais do que simbólica. Ela precisa ser prática, profunda e atualizada. Compreender o autismo em sua singularidade é fundamental. Mas compreender apenas o autismo é insuficiente. Isso porque o Transtorno do Espectro Autista (TEA) raramente se apresenta de forma isolada. De acordo com estudos recentes, cerca de 40% das pessoas com autismo também possuem Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), enquanto outras tantas apresentam dislexia, discalculia, transtornos motores, deficiência intelectual ou mesmo altas habilidades/superdotação. Saber identificar essas comorbidades não é apenas um detalhe clínico — é o que define a qualidade e a eficácia da intervenção. Essa complexidade foi destacada em uma fala do neurologista Dr. Marcelo Masruha, especialista em neurologia infantil e autor de diversas obras sobre o tema, durante uma live recente com os organizadores do Congresso Aprender Criança: “As pessoas têm que entender que se só estudarem o autismo, não vão atender bem o seu paciente. Porque um terço dos pacientes com autismo têm TDAH, e dois terços têm manifestações compatíveis com TDAH que não preenchem os critérios. Pessoas com autismo têm dislexia, têm discalculia, têm transtornos motores, têm deficiência intelectual. Se você vai a um congresso só de autismo, e não se discute essa amplitude, você não está se atualizando como deveria.” O alerta é claro: tratar bem uma criança ou adolescente com autismo exige entender o neurodesenvolvimento como um campo entrelaçado, dinâmico e multifacetado. Esse entendimento envolve reconhecer que o cérebro não funciona em compartimentos isolados — e que cada função, cada habilidade e cada desafio se relaciona com muitos outros. Dr. Renato Arruda, também neurologista e referência em TDAH e TEA, reforça esse pensamento: “Quem só sabe de autismo, não sabe de autismo. O neurodesenvolvimento na infância e na adolescência, por definição, tem uma interface muito grande com vários outros domínios.” É por isso que eventos como o Congresso Aprender Criança se tornaram fundamentais. Considerado o maior da América Latina sobre transtornos do neurodesenvolvimento, o congresso propõe uma abordagem verdadeiramente integrada, reunindo profissionais da saúde e da educação para discutir os espectros — no plural — que marcam a infância e a adolescência neuroatípicas. Ao longo de três dias de imersão, são abordados temas como autismo, TDAH, dislexia, altas habilidades, transtornos motores, distúrbios de linguagem e muito mais. Tudo isso a partir de evidências científicas atualizadas, com foco prático e transdisciplinar. Essa visão ampliada não é apenas uma escolha metodológica. Ela é uma necessidade urgente frente ao aumento expressivo de diagnósticos de autismo no mundo e no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 70 milhões de pessoas no mundo vivem com TEA. Nos Estados Unidos, dados recentes do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) mostram que uma em cada 31 crianças com menos de 8 anos tem autismo — um salto significativo em relação a anos anteriores. No Brasil, embora ainda haja subnotificação, estima-se que o número de pessoas autistas possa chegar a 6,9 milhões. Diversos fatores explicam esse crescimento: a melhora nas ferramentas diagnósticas, maior conscientização da sociedade, mudanças nos critérios classificatórios (como no CID-11), além de transformações ambientais e comportamentais que tornam mais visíveis certos traços do espectro. Mas o aumento no número de diagnósticos também desafia a formação dos profissionais. Como atender bem uma criança autista sem considerar que ela também pode ter dificuldades de aprendizagem? Como desenvolver um plano educacional se não se reconhecem as possíveis altas habilidades? Como adaptar um tratamento sem avaliar possíveis comorbidades e transtornos de coordenação motora, que interferem nas interações sociais e no desempenho escolar? Essas perguntas não são retóricas. Elas são o ponto de partida para uma prática clínica e educacional mais consciente, ética e eficaz. E a resposta passa, inevitavelmente, por formação continuada. Celebrar o Dia do Orgulho Autista é celebrar as múltiplas formas de existir e de aprender. Mas também é um chamado para que abandonemos uma visão limitada, compartimentalizada e ultrapassada do neurodesenvolvimento. A criança com autismo é muito mais do que o seu diagnóstico. Ela pode ser também uma criança com TDAH, com dislexia, com habilidades artísticas excepcionais ou com desafios motores que ainda não foram reconhecidos. Como disse o Dr. Masruha, “não dá mais para estudar o autismo sem estudar todo o resto”. E o Congresso Aprender Criança tem sido, há quase duas décadas, o espaço onde esse “todo o resto” é debatido com profundidade, responsabilidade e abertura ao novo. Porque compreender o autismo exige ir além do autismo. E é exatamente aí que começa o verdadeiro compromisso com a inclusão.
O peso invisível do autismo: uma vida de desafios e resiliência

No dia 2 de abril, o mundo se ilumina de azul para lembrar uma realidade que, para milhões de pessoas, não pode ser esquecida nem por um segundo: a vida com Transtorno do Espectro Autista (TEA). No Brasil, ainda não sabemos exatamente quantos autistas existem, mas, se considerarmos a prevalência apontada pelo CDC em 2023 – 1 a cada 36 crianças –, podemos estimar mais de 5,6 milhões de pessoas no espectro em nosso país. Um número que, longe de ser apenas estatística, representa vidas repletas de desafios, superações e, muitas vezes, de uma dor silenciosa que poucos enxergam. Se existe um grupo de autistas que frequentemente é incompreendido, são aqueles diagnosticados com nível 1 de suporte. Eles falam, trabalham, estudam e, muitas vezes, passam despercebidos – mas isso não significa que sua jornada seja mais fácil. Pelo contrário, justamente por não atenderem ao estereótipo do autista que muitos imaginam, enfrentam preconceitos e uma cobrança social exaustiva. É a realidade de quem precisa mascarar suas dificuldades para se encaixar em um mundo que não foi feito para eles. O masking, ou camuflagem social, é a estratégia de imitar comportamentos neurotípicos para evitar exclusão e sofrimento. Muitos autistas aprendem a disfarçar suas dificuldades desde a infância, suprimindo sua essência para parecerem “normais”. Mas esse esforço tem um preço alto: ansiedade, depressão e um esgotamento emocional avassalador. Estudos mostram que adultos autistas sem deficiência intelectual têm nove vezes mais risco de morrer por suicídio do que a população em geral. Crianças autistas apresentam 28 vezes mais pensamentos de morte e ideações suicidas do que crianças neurotípicas. A solidão imposta pelo mundo pesa. Além dos desafios emocionais, autistas enfrentam barreiras para conquistar autonomia. Dados mostram que mais da metade dos autistas adultos ficam desempregados ou fora do ensino superior por pelo menos dois anos após a conclusão do ensino médio. Para muitos, o primeiro emprego nunca chega. O estigma e a falta de adaptações no mercado de trabalho os deixam à margem, como se fossem invisíveis. Educação: o caminho para um futuro mais inclusivo Apesar de todos os desafios, há esperança – e ela começa na escola. O Censo Escolar 2023 revelou que o número de matrículas de alunos autistas cresceu 48% em um ano. Isso mostra que estamos caminhando, mas ainda há um longo percurso a percorrer. Muitas escolas e universidades não estão preparadas para receber esses alunos, seja por falta de capacitação de professores, por ausência de recursos de apoio ou por um desconhecimento generalizado sobre o que é, de fato, inclusão. A escola não é apenas um lugar de aprendizado acadêmico, mas também um espaço onde autistas podem desenvolver habilidades sociais e emocionais essenciais para a vida adulta. Quando há um ambiente verdadeiramente acolhedor, com profissionais preparados e adaptações adequadas, os impactos são imensuráveis. Construindo um Brasil mais acolhedor O Aprender Criança, há 19 anos, trabalha para fazer do Brasil um país não apenas inclusivo, mas um lugar de acolhimento e desenvolvimento das potencialidades de cada criança, adolescente e cidadão. Acreditamos que o conhecimento é a chave para abrir a porta do futuro que idealizamos. É por isso que levamos aos profissionais da saúde e da educação os principais avanços da neurociência da aprendizagem, todos baseados em evidência. Porque nenhum autista – assim como nenhuma pessoa neuroatípica – deve ser deixado para trás. No Dia Mundial da Conscientização do Autismo, refletimos sobre o quanto ainda precisamos avançar. A vida de um autista, independentemente do nível de suporte, não é uma escolha. Ninguém quer ser diagnosticado com TEA. O que todos querem é respeito, compreensão e oportunidades reais para serem quem são, sem precisarem esconder sua verdadeira essência. Junte-se a nós nessa missão clicando aqui! Que a conscientização sobre o autismo vá além do dia 2 de abril. Que se transforme em empatia, ação e mudanças concretas. Porque um mundo verdadeiramente inclusivo não se constrói com palavras, mas com atitudes.
Mulheres Neuroatípicas e a Luta pela Igualdade: Oportunidades, Invisibilidade e o Papel do Aprender Criança

Em 8 de março de 2025, a ONU reforça um compromisso global: garantir que nenhuma mulher ou menina seja deixada para trás. O tema deste ano – “Para TODAS as mulheres e meninas: Direitos. Igualdade. Empoderamento” – destaca a urgência de promover um futuro baseado na inclusão, especialmente para as mulheres neuroatípicas, que historicamente enfrentam desafios adicionais no acesso a direitos e oportunidades. A invisibilidade das mulheres neuroatípicas Estima-se que entre 15% e 20% da população global seja neuroatípica, mas o diagnóstico em mulheres ainda é subestimado. O Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo, é diagnosticado quatro vezes mais em homens, enquanto muitas meninas crescem mascarando características para se adequar às expectativas sociais. Essa realidade se reflete em diagnósticos tardios ou errôneos, impactando diretamente a saúde mental, a vida acadêmica e profissional dessas mulheres. Além disso, a neurodiversidade feminina é marcada por uma luta constante contra a falta de compreensão e acessibilidade. No ambiente de trabalho, muitas mulheres neuroatípicas enfrentam dificuldades de adaptação, preconceitos e uma estrutura que favorece padrões neurotípicos. Quando se tornam mães, as exigências sociais e a sobrecarga emocional se multiplicam. Segundo a neurologista infantil e da adolescência Marta Clivati, diversos fatores contribuem para essa subnotificação. Um deles é o desconhecimento de muitos profissionais da saúde e educação sobre as especificidades do autismo feminino, levando a interpretações equivocadas dos sinais clínicos. Os pais, por sua vez, tendem a desconfiar dos sinais apresentados pelas filhas e, muitas vezes, minimizam dificuldades como ansiedade extrema, medo de dormir sozinha ou dificuldades sociais, encarando-as como traços “normais” da personalidade. Também se percebe uma diferença na forma como meninos e meninas são observados no contexto familiar. Os pais geralmente demonstram maior preocupação com comportamentos atípicos em meninos, enquanto esperam que as meninas sejam mais dóceis e socialmente adaptáveis. Esse viés acaba retardando a busca por um diagnóstico adequado e, consequentemente, o acesso a intervenções precoces que poderiam melhorar significativamente a qualidade de vida dessas meninas. O desafio do diagnóstico tardio Muitas mulheres chegam à vida adulta sem saber que são autistas. Não é incomum que descubram a condição apenas após o diagnóstico de seus filhos, geralmente meninos. Ao perceberem similaridades entre seus comportamentos e os dos filhos, começam a investigar a possibilidade de estarem dentro do espectro. Esse fenômeno demonstra como a falta de informação e os estereótipos podem atrasar por décadas o reconhecimento da neurodiversidade feminina. Fatores culturais também exercem um papel significativo. As expectativas sociais fazem com que as meninas recebam mais apoio emocional e sejam incentivadas a desenvolver habilidades de socialização desde cedo. No entanto, com o passar do tempo, quando as demandas sociais aumentam, a dificuldade em manter esse esforço de camuflagem pode levar a quadros de exaustão, ansiedade, depressão e, em casos mais graves, ideação suicida e internações psiquiátricas. Fatores neurobiológicos e sociais no autismo feminino Segundo Marta Clivati, há hipóteses neurobiológicas que explicam por que o diagnóstico do autismo é mais complexo em mulheres. A teoria do cérebro masculino extremo sugere que os homens têm uma inclinação natural para a sistematização, enquanto as mulheres possuem um impulso mais forte para a empatia. Esse fator pode levar meninas autistas a desenvolverem estratégias compensatórias, escondendo suas dificuldades e aumentando o risco de serem mal compreendidas. Além disso, o chamado efeito protetor feminino pode estar relacionado às diferenças hormonais e genéticas, tornando os sinais do autismo menos evidentes em meninas e dificultando sua detecção precoce. Já no âmbito social, a necessidade de se adaptar às expectativas culturais resulta em estratégias de camuflagem, como copiar padrões de interação social, imitar expressões faciais e forçar contatos que não são naturais para elas. Com o tempo, essa “atuação” se torna desgastante, levando a quadros de ansiedade e burnout. A urgência da equidade: por que falar disso? A desigualdade de gênero vai além do contexto neurodiverso. Desde a infância, meninas são desencorajadas a sonhar grande. Elas recebem menos incentivo para explorar áreas como tecnologia e ciências exatas e são direcionadas para papéis tradicionais. Quando neuroatípicas, o cenário se torna ainda mais limitante: quantas inovações poderiam ter surgido se essas mulheres tivessem sido devidamente acolhidas e estimuladas? A ONU reforça que empoderar mulheres e meninas tem um efeito multiplicador. Quando garantimos inclusão e equidade, impulsionamos o desenvolvimento social, econômico e científico. O Congresso Aprender Criança, que há 19 anos reúne profissionais de saúde e educação (a maioria mulheres), está comprometido em fortalecer essa transformação. O Congresso Aprender Criança como agente de mudança Desde sua primeira edição, o Congresso Aprender Criança tem sido um espaço de troca, aprendizado e reconhecimento do papel fundamental das mulheres. Psicólogas, neurologistas, pedagogas, fonoaudiólogas e terapeutas ocupacionais lotam os auditórios e têm voz em debates sobre neurodesenvolvimento e inclusão. Ao dar visibilidade à neurodiversidade feminina, incentivamos políticas públicas mais inclusivas, pesquisas que considerem as diferenças de gênero no diagnóstico e tratamento e, sobretudo, a construção de um mundo onde todas as mulheres tenham seus direitos garantidos. Em 2025, reafirmamos esse compromisso. Pela equidade. Pela valorização da diversidade. Pelo fortalecimento real e duradouro. Clique aqui e junte-se a nós, você também, homem ou mulher que se compromete na construção de um futuro melhor para toda a humanidade!
Aprendendo com o cérebro: Como a neurociência e a educação se unem para maximizar o aprendizado

Você já se perguntou como o cérebro aprende? E como podemos usar os avanços da neurociência para melhorar a forma como ensinamos? A união entre a neurociência e a educação tem revolucionado a forma como percebemos o aprendizado e contribuído para maximizar o processo de aprendizagem. O neurologista infantil Marco Antônio Arruda, referência no Brasil em neurociência da educação, criou o Congresso Aprender Criança, justamente para levar para as salas de aula e espaços terapêuticos os avanços internacionais da neurociência. O evento que é o maior em transtornos do neurodesenvolvimento da América Latina, é o pioneiro em colocar lado a lado médicos, terapeutas e educadores. Segundo o doutor Marco Antônio Arruda, a neurociência nos oferece insights valiosos sobre o funcionamento do cérebro humano. Pesquisas recentes têm revelado que cada pessoa aprende de forma única, e compreende que essas diferenças podem ajudar os profissionais a adaptar seus métodos para atender às necessidades individuais das crianças e adolescentes. “Através da compreensão do funcionamento do cérebro, é possível criar estratégias de ensino mais eficazes, que estimulem um aprendizado mais profundo, inclusivo e sustentável. A educação precisa se basear nas evidências científicas de como o cérebro aprende.” Neste contexto, a união entre a neurociência e a educação está se tornando cada vez mais relevante, e muitas instituições educacionais estão adotando abordagens baseadas nessa integração. Ao utilizar as descobertas da neurociência, educadores podem implementar práticas mais eficazes em sala de aula, proporcionando aos alunos um ambiente de aprendizado mais estimulante e eficiente. Aprender com o cérebro é uma abordagem inovadora que está transformando a forma como ensinamos e aprendemos. Como o cérebro funciona durante a aprendizagem O cérebro é um órgão complexo e fascinante, e entender seu funcionamento durante a aprendizagem é essencial para melhorar nossas práticas educacionais. Durante o processo de aprendizagem, várias áreas do cérebro são ativadas e trabalham juntas para processar e armazenar informações. Uma das principais descobertas da neurociência é que o cérebro está constantemente criando novas conexões neurais, um processo chamado de neuroplasticidade. Isso significa que o cérebro pode se adaptar e mudar com base nas experiências e estímulos aos quais é exposto. Essa capacidade de mudança é fundamental para a aprendizagem, pois permite que o cérebro forme novas conexões entre as informações e consolide o conhecimento. Além disso, a aprendizagem envolve a ativação de diferentes áreas do cérebro, como o córtex pré-frontal, que está envolvido no pensamento crítico e na tomada de decisões, e o hipocampo, que desempenha um papel crucial na formação de memórias. Compreender como essas áreas do cérebro funcionam durante a aprendizagem nos ajuda a desenvolver estratégias de ensino mais eficazes. Princípios da neurociência aplicados à educação Com base nas descobertas da neurociência, vários princípios podem ser aplicados à educação para maximizar a aprendizagem dos alunos. Um desses princípios é a importância de fornecer aos alunos um ambiente de aprendizagem seguro e estimulante. Isso significa criar uma atmosfera de sala de aula onde os alunos se sintam à vontade para tomar riscos, fazer perguntas e explorar novos conceitos. Outro princípio importante é o uso de diferentes modalidades de aprendizagem. A neurociência mostrou que as pessoas têm preferências diferentes quando se trata de aprender – alguns são mais visuais, enquanto outros são mais auditivos ou cinestésicos. Ao oferecer uma variedade de formas de apresentar informações, como imagens, vídeos, palestras e atividades práticas, os educadores podem atender às preferências individuais dos alunos e promover uma aprendizagem mais eficaz. Além disso, a repetição espaçada é um princípio da neurociência que pode ser aplicado ao ensino. Estudos mostram que revisar informações em intervalos regulares e espaçados ao longo do tempo ajuda na retenção de conhecimento a longo prazo. Os educadores podem incorporar essa estratégia em seu planejamento de aula, garantindo que os alunos revisem regularmente o material aprendido. Técnicas de ensino baseadas em neurociência Com base nos princípios da neurociência, existem várias técnicas de ensino que podem ser utilizadas para melhorar a aprendizagem dos alunos. Uma técnica eficaz é o ensino baseado em projetos, no qual os alunos trabalham em projetos práticos que os envolvem em atividades significativas e relevantes. Essa abordagem estimula a curiosidade e a motivação dos alunos, promovendo uma aprendizagem mais profunda. Outra técnica é o ensino colaborativo, no qual os alunos trabalham em grupos para resolver problemas e completar tarefas. Essa abordagem promove a troca de ideias e o trabalho em equipe, habilidades essenciais para o sucesso na vida real. Além disso, a colaboração permite que os alunos aprendam uns com os outros, reforçando seu próprio conhecimento. Além disso, o ensino baseado em jogos é uma técnica cada vez mais popular. A neurociência mostrou que os jogos podem estimular a liberação de dopamina no cérebro, um neurotransmissor associado à motivação e ao prazer. Ao incorporar elementos de jogos em atividades de sala de aula, os educadores podem aumentar o engajamento dos alunos e tornar a aprendizagem mais divertida e envolvente. A importância do ambiente de aprendizagem no desenvolvimento cerebral O ambiente de aprendizagem desempenha um papel fundamental no desenvolvimento cerebral dos alunos. Estudos mostram que um ambiente seguro, estimulante e positivo pode promover o desenvolvimento de conexões neurais saudáveis e fortalecer as habilidades cognitivas dos alunos. Um ambiente de aprendizagem positivo inclui aspectos como relacionamentos positivos entre os alunos e os educadores, apoio emocional, estímulo à criatividade e oportunidades de aprendizagem práticas. Quando os alunos se sentem seguros e valorizados, sua capacidade de aprendizado é maximizada. Além disso, o ambiente físico da sala de aula também desempenha um papel importante. Uma sala de aula organizada, com espaços para diferentes atividades e materiais educacionais acessíveis, pode ajudar os alunos a se concentrarem e se envolverem na aprendizagem. A luz natural, a ventilação adequada e a temperatura confortável também contribuem para um ambiente propício à aprendizagem. A influência das emoções no processo de aprendizagem As emoções desempenham um papel significativo na aprendizagem. Estudos mostram que as emoções positivas, como a alegria e o entusiasmo, podem melhorar a capacidade de retenção de informações e promover uma aprendizagem mais
A Importância da Prevenção ao Bullying e Cyberbullying para Crianças e Jovens Atípicos: Um Chamado à Intervenção Interdisciplinar

No contexto dos transtornos do neurodesenvolvimento, como TEA (Transtorno do Espectro Autista), TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e Dislexia, crianças e jovens atípicos enfrentam desafios únicos em suas jornadas escolares e sociais. Infelizmente, essas diferenças também os tornam mais suscetíveis a comportamentos agressivos e excludentes, como o bullying e o cyberbullying. Essas formas de violência podem deixar marcas profundas em sua saúde emocional e mental, exigindo atenção cuidadosa e ação conjunta entre saúde e educação. Por que as crianças atípicas são mais vulneráveis ao bullying? As características que definem muitos transtornos do neurodesenvolvimento acabam, muitas vezes, por isolar crianças e adolescentes atípicos, tornando-os alvos fáceis de bullying. No caso de crianças com TEA, por exemplo, a dificuldade em entender nuances sociais, como duplo sentido, ironia e linguagem figurativa, pode torná-las mais ingênuas, literais e, consequentemente, vulneráveis. Elas muitas vezes não conseguem se defender ou compreender plenamente o que está acontecendo, o que facilita a ação daqueles que desejam praticar o bullying. Aqueles com TDAH podem se destacar por sua impulsividade ou dificuldade em manter a atenção, o que pode gerar críticas, piadas ou até exclusão social por parte de colegas. No caso de crianças com Dislexia, dificuldades de leitura e escrita podem ser mal interpretadas, levando ao estigma de “preguiça” ou “falta de capacidade”. A intolerância à diferença, infelizmente, ainda é comum em muitos ambientes escolares, criando um ciclo perigoso de isolamento e baixa autoestima. Cyberbullying: quando a violência não conhece barreiras físicas No ambiente virtual, o bullying toma proporções ainda mais devastadoras. O cyberbullying pode ser ainda mais cruel, uma vez que as ações online, muitas vezes anônimas, permitem que as agressões atinjam a vítima a qualquer hora e lugar, sem a necessidade de interação física. Para as crianças atípicas, isso pode ser especialmente doloroso, já que, além de suas dificuldades sociais naturais, elas podem ser alvos de piadas, exclusões ou humilhações públicas, espalhadas rapidamente pelas redes. O impacto emocional é imensurável. Depressão, ansiedade, fobia social e até pensamentos suicidas são alguns dos efeitos mais comuns para quem sofre bullying e cyberbullying, especialmente quando essas agressões são contínuas e não combatidas de forma adequada. O papel fundamental da psicoeducação e da parceria entre saúde e educação É aqui que a intervenção interdisciplinar se torna não apenas desejável, mas imprescindível. Profissionais de saúde, como médicos, terapeutas e psicólogos, precisam trabalhar em conjunto com educadores para promover um ambiente de inclusão genuína. Não basta apenas ensinar sobre bullying; é necessário um esforço coordenado para capacitar professores, coordenadores e toda a equipe escolar a reconhecer as necessidades das crianças atípicas e ajudar os alunos típicos a entenderem e respeitarem as diferenças. A psicoeducação deve ser um componente central nas escolas, permitindo que os educadores aprendam a identificar sinais de vulnerabilidade e saibam como intervir de maneira assertiva. Os alunos típicos também precisam de orientação, para que desenvolvam empatia e compreensão genuína pelos colegas atípicos. Criar ambientes onde a diversidade seja celebrada, e não motivo de ridicularização, é um objetivo que só pode ser alcançado com a colaboração de todos: escolas, profissionais de saúde e famílias. A missão do Congresso Aprender Criança na defesa das crianças atípicas Desde a sua criação, o Congresso Aprender Criança aposta nesse trabalho interdisciplinar, reconhecendo que garantir a qualidade de vida e o pleno desenvolvimento das pessoas atípicas exige uma união de esforços. Somos profundamente comprometidos em promover o diálogo entre os profissionais de saúde e educação, com o intuito de construir ambientes onde as crianças com transtornos do neurodesenvolvimento possam florescer, sem o medo constante de serem alvos de bullying. Acolher, respeitar e proteger. Essas são palavras que devem ecoar em cada escola, em cada casa. Para que isso se torne uma realidade, é preciso que todos nós – pais, educadores, profissionais da saúde – nos engajemos em ensinar às nossas crianças o valor do respeito à diferença, a importância de defender o colega que é mais vulnerável, e a beleza de uma sociedade que se constrói na diversidade. O futuro de nossas crianças atípicas depende de nossa ação hoje. Juntos, podemos fazer a diferença. Vamos garantir que, em um futuro próximo, o bullying e o cyberbullying sejam apenas memórias distantes de um passado que superamos com empatia e coragem. No Aprender Criança, essa é a nossa missão. E contamos com você para continuar escrevendo essa história.
