• Categoria: TDAH
  • Escrito por Dr. Marco A. Arruda
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Números que gritam !

ImageNessa cidade 1994 crianças com idade entre cinco e 12 anos estudam em escolas da rede municipal e, segundo seus pais, 86% delas são felizes.

“Péra aí”, que pesquisa é essa? Eu pensava que toda criança era feliz!

Apesar de todo amor maternal, 29% das mães fumaram e 10% ingeriram bebida alcoólica durante a gestação de seus filhos, certamente por ignorarem os malefícios do álcool e do tabaco na formação do cérebro fetal. Apenas 1,7% delas têm curso superior e 9,5% são analfabetas ou não completaram o primário.

- E sobre o pai?

Um terço deles bebe diariamente e 15% já perderam dia de trabalho ou manifestam algum grau de dependência alcoólica. Apenas 1,8% têm curso superior e 26% são analfabetos ou não completaram o primário.

- Quem sabe a realidade do casal seja diferente?

Um terço dos pais são separados ou divorciados e apenas 62% das crianças têm o “privilégio” de viver sob o mesmo teto com seu pai e sua mãe.

- Deve ser uma cidade pobre!

Aparentemente não, 98% das famílias possuem TV em cores (44% têm dois ou mais aparelhos), 95% geladeira (11% mais de uma), 87% ao menos um aparelho de DVD, 54% máquina de lavar roupa e 46% automóvel (9% mais de um). Apenas 2% das famílias não têm banheiro em sua casa e 15% contam com o serviço de ao menos uma empregada doméstica.

- Ah, então é uma cidade feliz!

Um quarto das mães e 8% dos pais relatam antecedentes de atendimento médico para depressão.

- Pelo menos me fale coisas boas das crianças!

Sete em cada dez crianças assistem TV todos os dias (média de 2 horas por dia), uma em cada quatro joga videogame nessa mesma frequência, 54% desobedecem em casa e 28% na escola, 13% têm alguma dificuldade escolar e 20% apresentam dificuldade escolar importante. Para os pais 59% das crianças são nervosas e 40% mal humoradas, 28% delas referem solidão, 23% apresentam dificuldades de relacionamento e 6% já falaram em se matar.

- Você está de brincadeira!

Não, Saúde Mental infantil não é brincadeira. Esses são os primeiros dados do Projeto Atenção Brasil numa cidade da nossa região onde os dirigentes tiveram a coragem e lucidez de apoiar essa pesquisa que reflete a importância dos fatores biopsicossociais no desenvolvimento e Saúde Mental da criança. São números que gritam. Falar em futuro nessa cidade é escutar o grito desses números, arregaçar as mangas e desenvolver políticas públicas focadas no desenvolvimento infantil. Falar em futuro nessa cidade é conscientizar e chamar para a luta todos os seus cidadãos.

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