• Categoria: Edição 38 - abril 2015
  • Escrito por Equipe Glia Educacional: Carolina Queiroz Pinheiro, Camila Barros Soares, Gabriela Rezende, Milena Fernandes, Luiz Henrique Arroyo, Lívia de Freitas e Marco Antônio Arruda

Conversando sobre a Dislexia

INTRODUÇÃO

Não é raro em salas de aulas numerosas como as do nosso país encontrar casos de alunos com dificuldade de leitura e escrita. Podemos observar também o nível crescente de repetência da primeira série do ensino fundamental, por não conseguirem se alfabetizar.

O presente artigo busca ampliar os horizontes do conhecimento para um dos transtorno de aprendizagem mais frequentes na infância, mas que poucas vezes é identificado ou suspeitado, a Dislexia. O texto possui o objetivo de elucidar questões primordiais sobre este distúrbio, mostrando a importância do diagnóstico adequado e precoce, evitando que crianças se desenvolvam com prejuízos acadêmicos e emocionais. Diante disto, o texto poderá auxiliar e orientar Pais e Profissionais da Educação a respeito do assunto, sugerindo ainda estratégias para laborar as dificuldades, tendo em vista o processo ensino-aprendizagem.

DISLEXIA: O QUE É

            A palavra dislexia é formada pela contração das palavras gregas dis, que significa distúrbio e lexis, palavra. Ela caracteriza-se por uma dificuldade nas áreas da leitura, escrita e soletração (ALMEIDA, 2009).

Segundo a International Dyslexia Association (IDA): “Dislexia é um dos muitos transtornos de aprendizagem caracterizado pela dificuldade de decodificação e codificação das palavras simples, mostrando uma insuficiência no processamento fonológico em crianças com inteligência normal e após dois anos de exposição ao processo de alfabetização” (http://www.dislexia.org.br). O novo DSM V classifica a Dislexia como um distúrbio de aprenzidagem especifica (DEA), como sendo um tipo de desordem neurodesenvolvimental que compromete a capacidade para aprender habilidades acadêmicas específicas (de ler, de escrever ou de aritmética), que são a base de outras competências acadêmicas,

Os critérios de diagnóstico do DSM-V para as DEA referem-se a características-chave da DEA (pelo menos um dos seis sintomas de dificuldades de aprendizagem têm de persistir por pelo menos seis meses, mesmo após intervenções extras ou instruções específica). São destacados os seguintes sintomas:  1- Imprecisa ou lenta leitura de palavra (dificuldade em falar a palavra, adivinhação de palavras); 2- Dificuldade de compreensão do que está sendo lido (lê o texto mas não entende a sequência da leitura, não entende os significados); 3-Dificuldade na soletração (pode somar, subtrair, omitir ou substituir vogais e consoantes); 4- Dificuldade na expressão escrita (parágrafo com pouca organização, expressa suas ideias com falta de clareza); 5- Dificuldade em dominar o sentido do número e de fazer cálculos (não entende os números, sua magnitudes, suas relações, conta nos dedos ou em voz alta, não consegue fazer contas de cabeça); 6-Dificuldade com raciocínio matemático (Tem grave dificuldade em aplicar conceitos matemáticos ou procedimentos para resolver problemas).

Essas dificuldades na leitura e escrita coexistem, porem o indivíduo possui inteligência normal. A Dislexia é caracterizada como um transtorno genético e hereditário da linguagem, de origem neurobiológica que afeta a eficácia na aquisição da leitura, da escrita e da compreensão de textos. Essa origem genética justifica a recorrência do distúrbio na família.

Em uma avaliação neuropsicológica clássica de uma criança disléxica é esperado encontrarmos: QI geral normal, índice de compreensão verbal pelo menos 10 pontos abaixo do índice de organização perceptual, span memória operacional fonológica rebaixada, fluência verbal fonológica rebaixada, prejuízo de consciência fonológica, discriminação auditiva, de nomeação, leitura (fluência, precisão e compreensão) e escrita (disgrafia e disortografia).

Os portadores desse transtorno neurobiológico congênito possuem dificuldade em articular os fonemas e as letras.

TABELA 1- PERFIL NEUROPSICOLOGICO “CLÁSSICO” DE CRIANÇA COM DISLEXIA

Prevalência

Mesmo sendo mundialmente relatado como um distúrbio de aprendizado, sua prevalência ainda não é conhecida com exatidão, mas acredita-se que ela atinja por volta de 5% das crianças e adolescentes do mundo (SCHULTE-KÖRNE, 2010).

Diagnóstico

O diagnóstico é conduzido por equipe multidisciplinar (médico, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, neurologista) mas depende fundamentalmente da avaliação neuropsicológica. Antes de afirmar que uma pessoa possui disléxia, é preciso excluir deficiências visuais e auditivas, escolarização inadequada e dificuldades socioeconômicos que possam prejudicar na aprendizagem.

            Sendo de grande relevância a confirmação de um diagnóstico precoce para evitar que sejam conferidos aos portadores do transtorno rótulos pejorativos, com reflexos negativos sobre sua auto-estima e projeto de vida.

DISLEXIA: QUANDO SUSPEITAR

            O processo de aprendizagem de uma criança engloba inúmeros fatores de caráter intrínsecos e extrínsicos. Devido a esta pluralidade de elementos determinantes, o aprendizado se torna extremamente complexo, podendo, consequentemente, defrontar-se com diversos obstáculos para seu avanço. Tais impedimentos não podem ser encarados de maneira simplória, pois eles possuem a capacidade de impactar negativamente na vida da criança; mas também não podem ser entendidos como inviabilizadores do aprendizado, pois diversas são as estratégias de enfrentamento ou tratamento disponíveis para os mais diferentes casos (PESTUN; CIASCA; GONCALVES, 2002).

Para transpor um obstáculo em nosso caminho precisamos primeiramente reconhecê-lo como um impedidor de nosso progresso. Sem saber exatamente o que enfrentamos, as chances de insucesso se tornam muito mais prováveis. Da mesma forma, uma criança que enfrenta dificuldades no aprendizado, não pode vencê-los sem que primeiro seja reconhecida a existência de um fator causador desta adversidade. Para a criança que sofre com dislexia este raciocício não se altera.

O diagnóstico prococe da dislexia é essencial para auxiliar no tratamento do transtorno, pois quanto mais jovem for a criança no início das intervenções, maior as chances que ela possui de superar a dificuldade. Todavia, existe uma grande dificuldade em identificar tal transtorno de aprendizado, isto pelo próprio fator de que as crianças aprendem de formas diferentes e com velocidades distintas. Assim, uma atenção ainda maior torna-se necessária para identificar aquelas crianças que realmente possuem algum tipo de comprometimento. Essa detecção precisa acontecer o quanto antes para que as crianças possam ser assistidas de forma individualizadas pelos profissionais de saúde e de pedagogia, evitando o fracasso escolar ou amenizando as dificuldades enfrentadas no futuro. Contudo, reconhecer esse transtorno depende, em grande parte, do círculo de vivência desta criança, ou seja, principalmente dos pais e dos professores (MARTINS & CAPELLINI, 2011).

Importante destacar que como as crianças com dislexia não apresentam comprometimentos em sua inteligência (FLETCHER , 2009), abri-se enormes espaços para interpretações equivocadas e principalmente para rotulações e estereotipagem. Os pais ou professores podem presumir que a criança é preguiçosa ou desmotivada, o que pode piorar ainda mais seu envolvimento escolar.

Os principais sinais que devem servir de alerta para a suspeita da dislexia ainda em idade pré-escolar são: dificuldade de aprender o nome das letras ou os sons do alfabeto; dificuldade de entender instruções, compreender fala ou material lido; dificuldade para lembrar números, letras ou sequências, questões e direções; dificuldade de lembrar sentenças ou histórias; atraso na fala e confusão com direções esquerda e direita (MARTINS & CAPELLINI, 2011).

Os professores devem estar atentos nas salas de aula a alta frequência de erros ortográficos em provas de ditado e nas redações elaboradas nas salas de aula (AFFONSO et al, 2011). Os pais e professores podem estar observando também a velocidade de leitura da criança, que pode demorar de duas a três vezes mais nessa atividade. Esse elemento é importante de ser destacado, pois a lentidão na leitura causa uma pior compreensão do texto, principalmente se este for longo e com palavras de baixa frequência. Normalmente, essas crianças ao não conseguirem entender certas palavras, as trocam por outras semelhantes (VAN DER LEIJ, 2013).

Estando os pais e os profissionais da educação ou da saúde atentos a tais sinais apresentados, é possível vencer as dificuldades impostas pela dislexia, deixando um caminho livre para que a criança tenha um aprendizado pleno e triunfante.

 TRABALHANDO DISLEXIA NO CONTEXTO CLÍNICO

            Diversos profissionais podem trabalhar a dislexia em ambiente controlado. Em primeiro lugar deve ser feita uma avaliação que defina o grau e especificações da condição de cada paciente. Essa avaliação é essencial para a identificação das causas das dificuldades apresentadas e de possíveis comorbidades com outros transtornos, o que permitirá a orientação de um encaminhamento adequado para o caso individualizado.

            Tal avaliação é feita por um especialista em neuropsicologia, e engloba o exame formal das habilidades de linguagem oral, de linguagem escrita (de leitura, de escrita e de matemática), habilidades cognitivas e de funções executivas, a fim de determinar a discrepância entre o que a criança deveria ter alcançado e o que de fato alcançou no processo de alfabetização. Este exame é efeito aplicando-se provas e testes que mensurem tais habilidades a partir de critérios baseados na idade cronológica, mental e no grau de escolaridade (CAPELLINI, 2006).

            Uma vez colhido o máximo de informações possíveis, o trabalho de um psicopedagogo será de significativa importância. Assim, trabalha-se com o paciente atividades especificas para o grau de dificuldade em questão e gradativamente amplia-se o nível de complexidade das atividades. São inúmeras as intervenções que podem ser feitas por este profissional e a frequência das sessões dependerá de cada caso, mas de modo geral é importante uma continuidade de ao menos uma vez por semana para que resultados sejam alcançados.

            O fonoaudiólogo também exerce um papel muito importante. A terapia fonoaudiológica pode ajudar as crianças a falarem mais claramente, a perceber e a discriminar os sons das palavras, habilidades que contribuem para desenvolver a compreensão da leitura e encorajar o paciente. O principal trabalho de intervenção na dislexia feito por este profissional é o de consciência fonológica e correspondência grafema-fonema e vice-vice, promovendo a habilidade de discriminação e manipulação dos segmentos da fala. As atividades que um fonoaudiólogo utiliza para promover o desenvolvimento da consciência fonológica trabalham a consciência de palavras, a consciência de rimas e de aliterações, a consciência de silabas e ainda a consciência de fonemas sempre aumentando gradualmente os níveis de complexidade, do modo que a criança possa se beneficiar ao máximo de cada atividade. (CAPOVILLA & CAPOVILLA, 2007).

            Deve-se ainda atentar para o fato de que muitas vezes a dislexia afeta diretamente a autoestima das crianças, podendo gerar muitos sintomas de ansiedade e de depressão. Tudo isso deixa a escola ainda mais difícil, além de reduzir a motivação do aluno para as atividades de leitura e escrita. Neste sentido, o psicólogo entra em ação, contribuindo para reestruturar a autoestima, estimular a motivação, reduzir a ansiedade e acolher as dificuldades de seu paciente. Uma maneira eficiente de trabalhar a motivação, por exemplo, é fazendo leituras em voz alta de historias que a criança goste. Os conteúdos trabalhados na escola podem ser cansativos e desestimulantes para a criança. Assim, pais e psicólogos podem e devem se utilizar de historias divertidas e descontraídas, fomentando nos pequenos o prazer da leitura livre. Alem disto, é de responsabilidade deste profissional trabalhar de modo a orientar a escola e os pais a respeito de como agir com a criança em questão.

            De qualquer modo, cada caso deve ser observado individualmente para que seja definida a necessidade de uma equipe multidisciplinar. Contudo, quando família, escola e profissionais da saúde trabalham juntos na mesma direção, de forma colaborativa e com a correta comunicação, ótimos resultados poderão ser atingidos.

 A DISLEXIA E O CONTEXTO ESCOLAR

            A dislexia se apresenta como um desafio escolar, promovendo uma reflexão sobre processo da escolarização, o papel da instituição e sua responsabilidade no processo ensino-aprendizagem. O aluno com dislexia requer intervenções especializadas que seja capaz de fornecer igualdade de oportunidade, bem como igualdade e condições de permanência na escola, direitos postulados pela Constituição Federal Brasileira. Para além do reconhecimento desse direito é necessário que ele seja adquirido. Para isso caberia a todos os educadores envolvidos propiciar condições favoráveis para a saúde mental, criando estímulos de ordem afetivo-social adequados ao desenvolvimento da criança e capazes de propiciar o crescimento intelectual em condições ótimas de saúde e integridade psicossocial do indivíduo em formação.

            Segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), estima-se que 5% a 17% da população tenha dislexia Sendo assim, a dislexia se apresenta como um dos transtornos de aprendizagem mais prevalentes, geralmente manifestado na idade escolar. Os indivíduos portadores desse transtorno apresentam lentificação no processo de aprendizagem em decorrência às dificuldades de leitura e de escrita; apresentando um ritmo próprio que difere do ambiente inserido que pode influenciar no desenvolvimento cognitivo, desempenho acadêmico e profissional (CIASCA, 2002).

            Sendo a escola um espaço de aprendizagem responsável não só pela alfabetização e transmissão de pensamentos, mas de formação integral do indivíduo, cabe a ela adaptação de currículos, metodologias, conteúdos e avaliações para atender a diversidade do mundo escolar. Pensando nisso, é necessário reavaliar o ambiente escolar, tornando-o capaz de acolher cada aluno dentro de sua especificidade. Pensar em um ambiente capaz de acolher os alunos com dislexia é reinventar esse ambiente no que tange sua relação ensino-aprendizagem, materiais didáticos, estruturas das aulas dadas para os alunos, tarefas para casa e seus métodos de avaliação.

            Alguns exemplos de intervenções escolares seriam: tratar o aluno com naturalidade usando linguagem direta, clara e objetiva com olhar direcionado para a criança; aproximá-la da lousa e do professor, verificando sempre e diretamente se as explicações e instruções foram compreendidas; sugerir a descoberta de “dicas”, “atalhos”, “jeitos de fazer”, “associações”, que o ajudem a lembrar de executar tarefas e resolver problemas; checar, discretamente, se as anotações da lousa foram realizadas de maneira correta antes de apagá-la; observar se está interagindo com os colegas; não pedir para que faça coisas na frente dos colegas que o deixem na berlinda, como ler em voz alta; estimular, incentivar, fazer acreditar em si mesmo; procurar descobrir como ele aprende; permitir, sugerir, e estimular o uso de gravador, calculadora, como outras linguagens (informática).

            Quanto a adaptações avaliativas, algumas intervenções possíveis podem ser: sempre que possível preparar uma avaliação individualizada, caso não seja possível ler com o aluno em voz alta ou com outros tipos de linguagem; permitir a realização das avaliações em sala separada; disponibilizar maior tempo para realização das avaliações; esclarecer dúvidas, respeitar o ritmo, corrigir considerando suas dificuldades; valorizar o que está implícito; retomar e verificar a natureza dos erros cometidos.

            Em consonância a essas ideias o papel do professor estaria em orientar, planejar, dar suporte, de modo a promover o desenvolvimento e superação das dificuldades das crianças com dislexia. Porém, para trabalhar com a dislexia é necessário, antes de tudo, saber reconhecê-la. Sendo assim, é imprescindível que os educadores realizem cursos voltados para o processo de aquisição da leitura e da escrita, bem como cursos de aperfeiçoamento nesse tipo de Transtorno de Aprendizagem, construindo um conhecimento sobre as habilidades metalinguísticas no processo de alfabetização. Portanto, é por meio do conhecimento das interfaces da dislexia e ambiente escolar que o educador poderá trançar seus métodos de intervenção com intuito de promover o aproveitamento escolar.

 TRABALHANDO DISLEXIA COM OS PAIS

Os pais têm papel fundamental no desenvolvimento de seus filhos, sendo assim, devem estar bem atentos em identificar as dificuldades que eles venham a apresentar no decorrer de sua vida escolar. Por isso, precisam prestar bastante atenção em notar os sinais de alerta da dislexia, para que assim, possam encaminhá-los aos profissionais para dar início ao tratamento. No entanto, ao perceberem que a criança apresenta dificuldades de aprendizagem, não devem considerar de imediato que ela tem dislexia, pois é preciso que os sintomas persistam ao longo de seu processo de aprendizagem, além de outros fatores que estão relacionados ao quadro (CARNEIRO, 2011; SANTOS, et al 2013).

Sendo a família a base mais importante da criança em seu processo de ensino aprendizagem, torna-se de extrema importância a integração desta junto a equipe de intervenção, participando do diagnóstico ao tratamento e criando condições que favoreçam seu desenvolvimento. É a partir dos pais que se inicia o processo da procura de profissionais para a realização do diagnóstico multidisciplinar a respeito das dificuldades da criança, e, quanto mais cedo for realizado o diagnóstico e a intervenção, maiores serão as oportunidades de sucesso (CARNEIRO, 2011; SANTOS, et al 2013).

No momento em que o diagnóstico se confirma, alguns pais podem apresentar sentimentos de medo e de insegurança, além de entrarem num processo de negação, não aceitando a possibilidade de o seu filho apresentar dificuldade de aprendizagem. As preocupações são várias, como a busca por medidas necessárias de modo a proporcionar um tratamento adequado ao seu filho, além de criar um ambiente apropriado e estimulante para o desenvolvimento de seus filhos (CARNEIRO, 2011).

Dessa maneira, quanto maior o envolvimento dos pais na vida da criança, por meio de uma postura de apoio e de confiança em seus filhos, melhor serão os resultados do tratamento, pois a forma como os pais reagem perante a essa situação poderá agravar ou ajudar a sua recuperação.

Neste sentido, os pais devem proporcionar aos seus filhos as melhores condições para seu desenvolvimento, não tendo vergonha de pedir ajuda à escola ou a especialistas. Ao acompanhar e fornecer apoio a criança, os pais permitem que ela se sinta bem, em um ambiente saudável e positivo, o que levará a uma maior evolução do caso. Torna-se de máxima importância que pais e professores mantenham uma boa relação, para a melhor eficácia do tratamento, assim, os pais devem se interessar pela aprendizagem do seu filho. É importante que os pais ressaltem suas qualidades, seus pontos fortes, suas habilidades e capacidades, fazer elogios ao que a criança sabe para reforçar a sua autoestima. É imprescindível manter o diálogo com seu filho, mostrando o quanto ele é bom em determinadas áreas, pois assim, incentiva-os a desenvolver outras áreas que apresentam algumas dificuldades (CARNEIRO, 2011).

Os pais precisam estimular que a criança realize suas atividades escolares sozinha, tirar suas dúvidas, pois ela deve ser ativa e não passiva na construção de seu conhecimento e de suas atitudes, para promover autonomia, além disso, devem incentivar a curiosidade e os interesses para que assim, sintam-se mais motivadas para aprender (CARNEIRO, 2011).

Portanto é imprescindível que os pais forneçam ajuda, apoio, compreensão e encorajam seus filhos, mas que tenham paciência também, pois a criança que apresenta dislexia demonstra mais dificuldades em suas tarefas, não as realizando de forma rápida. Assim, é necessário que a criança sinta e perceba que as pessoas a sua volta estão auxiliando-a, transmitindo-lhe mais segurança. Os pais precisam mostrar à criança que estão interessados na sua dificuldade, pois quanto mais ajuda, afeto e compreensão ela receber, mais ela se sentirá capaz para evoluir e superar suas dificuldades (SANTOS, 2013).

 CONCLUSÃO

            A dislexia é um transtorno de aprendizagem de alto impacto na vida escolar e acadêmica. Quando não diagnosticado e realizado um tratamento adequado pode interferir também na vida pessoal e futuramente profissional. Diante disso, o diagnóstico precoce pode auxiliar as práticas interventivas visando a melhoria do desempenho escolar.

            Uma intervenção multiprofissional que promova a psicoeducação dos pais, escola e criança, bem como desenvolva habilidade necessárias para superar as dificuldades desse transtorno, tornam-se práticas imprescindíveis para o sucesso em seu tratamento. A escola mostra-se como um ambiente de extrema importância nesse processo, o qual deve refletir sobre sua relação de ensino aprendizagem. Permeando os trabalhos terapêuticos e escolares estão os pais, peças-chaves de uma aliança favorável para a criança.

            Sendo assim, pensar em intervenções na dislexia é pensar em uma reestruturação ambiental e profissional capaz de promover pontes para o desenvolvimento de habilidades por meio de métodos, de materiais e de intervenções específicas à realidade de cada aluno.

 REFERÊNCIAS

  • AFFONSO, Maria José Cicero Oger; PIZA, Carolina Mattar Julien de Toledo; Barbosa; Anna Carolina Cassiano; MACEDO, Elizeu Coutinho de. Avaliação De Escrita Na Dislexia Do Desenvolvimento: Tipos De Erros Ortográficos Em Prova De Nomeação De Figuras Por Escrita. Rev. CEFAC. 2011 Jul-Ago; 13(4):628-635
  • ALMEIDA, G.S.S.A.; DISLEXIA: O GRANDE DESAFIO EM SALA DE AULA.  REVISTA DON DOMÊNICO Revista Eletrônica de Divulgação Científica da Faculdade Don Domênico - 2ª Edição – Outubro de 2009).
  • CAPELLINI AS, Padula NAMR, Ciasca SM. Desempenho de escolares com distúrbio especifico de leitura em programa de remediação. Pró-Fono Rev Atual Cientifica. 2004; 16(3):261-74.
  • CAPOVILLA, Alessandra G. S.; CAPOVILLA, Fernando C. Alfabetização : método fônico. 4. ed – São Paulo: Memnon, 2007, p. 89.
  • CARNEIRO, S.R.C. Atitude dos pais e professores em crianças com dislexia. Dissertação (Mestrado) Escola Superior de Educação Almeida Garrett. Lisboa, Portugal, 2011.
  • CIASCA, S.; GONÇALVES, V. M. G.; PESTUN, M. S. V. A importância da equipe interdisciplinar no diagnóstico de dislexia do desenvolvimento. Arquivos de Neuropsiquiatria, v. 60, n. 2, p. 328-332, 2002.
  • ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. DSM IV – Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais.
  • FLETCHER, Jack M. Dyslexia: The evolution of a scientific concept. J IntNeuropsychol Soc. 2009 July; 15(4): 501–508.
  • International Dyslexia Association- Definição da Dislexia. Disponível em:<http://www.dislexia.org.br> Acesso em: 25 Mar. 2015
  • MARTINS, Maíra Anelli and CAPELLINI, Simone Aparecida. Intervenção precoce em escolares de risco para a dislexia: revisão da literatura. Rev. CEFAC [online]. 2011, vol.13, n.4, pp. 749-755 .
  • PESTUN, Magda S. Vanzo; CIASCA, Sylviaand  GONCALVES, Vanda Maria Gimenes. A importância da equipe interdisciplinar no diagnóstico de dislexia do desenvolvimento: relato de caso. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2002, vol.60, n.2A, pp. 328-332 .
  • SANTOS, I.J, et al. Dislexia: Uma dificuldade na aprendizagem. Nativa-Revista de ciências sociais do Norte de Mato Grosso. V.1, n.2, 2013.
  • SCHULTE-KÖRNE, G. The prevention, diagnosis, and treatment of dyslexia. Dtsch Arztebl Int. 2010 Oct; 107(41):718-26.
  • VAN DER LEIJ, Aryan; VAN BERGEN, Elsje; VAN ZUIJEN,Titia; JONG, Peter de; MAURITS, Natasha; Maassen, Ben. Precursors of Developmental Dyslexia: An Overview of the Longitudinal Dutch Dyslexia Programme Study. Dyslexia. 2013 Nov;19(4):191-213.
Back to top