Timidez e Fobia Social na Infância e Adolescência

Article Index

Timidez e Fobia Social: analogias e diferenças
A timidez e a FS caracterizam-se pela tendência em evitar situações sociais, combinado ao medo de se expor ao julgamento de outros indivíduos. Esse medo se expressa em níveis fisiológicos sob a forma de distúrbios neuro-vegetativos (aceleração das batidas cardíacas, sudorese, enrubescimento) sendo mantido na esfera cognitiva pela auto-estima negativa (expectativa distorcida em confronto à reação dos outros) e na esfera afetiva por sentimento de vergonha e auto-depreciação. De qualquer maneira, timidez e FS são diferentes. A FS é caracterizada por uma severa tendência em evitar contatos sociais e níveis mais altos de ansiedade social (Chavira, Stein e Malcarne, 2002), enquanto a timidez se manifesta pela inibição balanceada com algum desejo de interagir com outros indivíduos. Na timidez, desajustes externos são, em geral, imperceptíveis e há uma maior habilidade em enfrentar situações de ansiedade comparado ao observado nas formas patológicas de ansiedade social nas quais o “evitar” é uma constante acompanhado por uma ansiedade permanente, antes, durante e após as situações geradoras de ansiedade. Contudo, ainda que a criança tímida tenha uma baixa auto-estima e tenda a sentir-se constrangida em interações sociais, sua condição é bastante diferente daquela de uma criança ou adolescente com FS. Em geral, nesses indivíduos a auto-estima e as habilidades sociais são mais seriamente afetadas e uma forte auto-censura é comumente associada à depressão. As dificuldades da criança tímida são predominantemente limitadas aos primeiros passos de aproximação nas interações sociais tendendo a resolver com o seu progressivo envolvimento em atividades adequadas à sua idade, resultando numa boa margem de sucesso no controle do medo de ser exposto ao julgamento de terceiros (Rapoport e Ismond, 2002).
No plano clinico, o uso de observação, avaliação e interpretação dos sintomas cognitivo-afetivos e comportamentais, requer a apropriada distinção entre indivíduos tímidos e indivíduos socialmente fóbicos (Proietti, 2002). Essa estratégia permite a obtenção de informações que a criança e o adolescente não são capazes de reproduzir verbalmente sobre sua condição. Na verdade, a criança possui um vocabulário bastante limitado para traduzir de maneira apropriada seus afetos e sentimentos mais íntimos, enquanto o adolescente, embora tenha um maior domínio linguístico que o habilita verbalizar melhor suas emoções, passa por fase de grandes transformações e encontra-se mais inclinado a dissimular ou retrair-se (Marcelli e Braconnier, 2001). Tanto as crianças quanto os adolescentes com FS podem não entender a origem da sua ansiedade e, consequentemente, expressar seu mal-estar através de um comportamento de esquiva, abster-se de relacionar-se com seus pares, recusar ir à escola e, por fim, afastar-se de atividades sociais. Para finalizar, ao contrário dos adultos, as crianças não percebem que seus medos são exagerados e sem motivo (Rappoport e Ismond, 2002).
Indivíduos com FS constituem uma população heterogênea quanto à manifestação e gravidade dos sintomas. O DSM-IV-TR refere-se ao termo “generalizado” como um subtipo de FS mais grave, caracterizado por um medo significativo da maioria das situações sociais e uma maior probabilidade de deterioração de seu desempenho social e ocupacional. Na literatura, a FS específica é diferenciada da FS generalizada como sendo um grupo heterogêneo de indivíduos com fobia a uma ou mais situações sociais, mas não para a maioria delas (Vriends et al., 2007).
Back to top