Por uma escola compatível com o cérebro

ImagePara muitos historiadores, antropólogos e sociólogos, a geração dos que hoje contam com 50 ou mais “primaveras” (lógico que não é meu caso!) é a que viveu as mais importantes mudanças da história moderna da humanidade.

Entre elas, a descoberta do DNA (1953), Betty Friedan e os direitos da mulher (1963), Martin Luther King e a luta pelos direitos civis (1963), a chegada do homem à Lua (1969), o advento do primeiro computador pessoal (1981), o isolamento do vírus da AIDS (1981), a queda do muro de Berlim (1989), o advento d@ internet (1991), a cisão da União Soviética (1993), a clonagem da Dolly (1997), o 11 de setembro de 2001, o seqüenciamento do genoma humano (2001) e as evidências recentes do risco de colapso ambiental. É líquido e certo que nós mudamos também! Muitas das leitoras certamente usaram anágua, alguns leitores suspensórios, muitos viram o Rei jogar, ouviram um disco vinil, assistiram a “Perdidos no Espaço”, “Rin-tin-tin” e “Vila Sésamo”. É bom parar por aí...

As crianças também mudaram, e como mudaram! Eu e muitos de vocês brincamos com brinquedos que as crianças de hoje desconhecem: bolinhas de gude, carrinho de rolimã, bilboquê, forte Apache... Não tinha celular, falávamos mesmo pelo telefone de lata. Não tinha internet, MSN e Orkut, usávamos os Correios. Que saudades do cheiro da cola que lacrava as cartas e colava as figurinhas, a mesma cola que com pequenos cacos virava o cortante. Parece até que naquela época nada tinha perigo.

Nós mudamos, o mundo mudou, as crianças mudaram! Eu te pergunto, e a Escola? A Escola mudou?

Para um grupo de renomados Neurocientistas a Escola, “maior invenção da humanidade”, deve mudar! Deve mudar porque os conhecimentos sobre o cérebro estão avançando de forma espantosa. Hoje sabemos melhor sobre o desenvolvimento do cérebro infantil, sobre como se processa o aprendizado, a linguagem, o cálculo, a atenção e as memórias, temas que visitamos juntos nessa coluna nos últimos meses. Hoje conseguimos vislumbrar uma escola compatível com o cérebro.

Em 2006 me aliei a esse grupo de Neurocientistas, ocasião da fundação da Sociedade Internacional da Mente, Cérebro e Educação (www.imbes.org), com nomes da altura de Antonio Damásio (“O erro de Descartes”), Howard Gardner (Projeto Zero da Harvard, Inteligências Múltiplas) e Rita Levi-Montalcini (neurologista italiana Nobel de Fisiologia em 1986). No primeiro encontro há dois anos atrás em Fortworth (EUA), estavam presentes os diretores das principais agências americanas responsáveis pelo currículo escolar naquele país. Lá estas mudanças já estão acontecendo. Essa semana acontece o segundo encontro, dessa vez na Philadelphia. Portanto, se a gripe deixar e o correspondente não amarelar, nos vemos na Gazeta semana que vem com notícias da Philadelphia.

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