A mamata vai acabar!

Image Em 1965, um jovem estudante de 17 anos de idade chamado Randy Gardner, de uma só vez tirou nota máxima no trabalho escolar e entrou para o Livro dos Recordes com um experimento extraordinário que trouxe grandes contribuições para a melhor compreensão sobre o sono e o binômio cérebro-comportamento.

O projeto de Randy era permanecer acordado o máximo de tempo possível, sem dormir um instante sequer. Logo nos primeiros dias de privação de sono ele começou a manifestar irritabilidade, desatenção, náuseas e, como era de se esperar, um enorme cansaço. No quinto dia, curiosamente, começou a ter manifestações típicas do mal de Alzheimer, esquecimento, alucinações, desorientação e paranóia. A partir do sétimo dia Randy foi perdendo a força muscular e coordenação, apresentava tremores e a fala se tornou dificultosa.

Com onze dias nesse calvário o experimento foi interrompido e o jovem pôde, finalmente, cair nos braços de Morfeu. Outros experimentos clássicos relatam também a ocorrência de ideação suicida e convulsões, como consequência da privação aguda de sono. Hoje sabemos que a privação crônica de sono, ou seja, “dormir mal” por meses ou anos a fio, predispõe doenças como o diabetes, a hipertensão arterial e a obesidade.

O que sabemos só há pouco tempo é que o sono é fundamental para o bom funcionamento de vários tipos de memórias e, consequentemente, para o melhor desempenho intelectual e escolar. Uma pesquisa realizada recentemente na Universidade de Lille (França) constatou que práticas educacionais mais flexíveis e maus hábitos de sono estão diretamente relacionados com maior dificuldade de atenção e pior desempenho escolar. Outro estudo na Bélgica mostra que a presença de mídia eletrônica (TV, computador e videogames) no quarto da criança, relaciona-se diretamente com maus hábitos de sono e pior desempenho escolar.

Boa justificativa para a sesta é um estudo da Universidade de Nova York que mostra que uma soneca de uma hora após uma manhã inteira de aulas melhora a memória declarativa, aquela relacionada a fatos (número de continentes, países da Europa, tabela periódica, etc.) ou eventos. Com todas essas descobertas e com o conhecimento atual que temos sobre como nosso cérebro aprende, é difícil aceitarmos os hábitos atuais de sono da garotada, especialmente agora nas férias, quando literalmente trocam os dias pelas noites.

No próximo artigo as recomendações atuais para uma boa noite de sono. A mamata vai acabar!

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